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Esse artigo é uma compilação de diversos materiais sobre o megatsunami que atingiu a Baía de Lituya, no estado norte-americano do Alaska, em 1958.


Descobri esse "tsunami" há mais de dez anos atrás, quando tinha um livrinho pequeno da série Larousse para Crianças. Quando li sobre o tal tsunami de 524m, saí correndo pela casa mostrando o livro para as pessoas... xD Lembro do meu tio dizendo "Se tivesse um tsunami desses em Ubatuba, chegaria água até aqui em Campinas."

Eu não sei qual a fonte desse texto que circulou por inúmeros fóruns da internet desde 2004 (ao que parece é um texto estrangeiro que foi traduzido, muito decentemente por sinal), mas posso garantir sua veracidade em relação à outros em inglês que consultei. Se alguém souber a fonte, por favor, avise nos comentários. As legendas das fotos foram traduzidas por mim.

Um fato sempre intrigou biólogos e geólogos na baia de Lituya, no Alaska. Ao redor de toda a baía, nas margens, existe uma faixa de vegetação começando da linha d'água composta por arvores jovens e somente muitas dezenas e até centenas de metros acima é que aparecem as arvores velhas.

Os cientistas sempre souberam que as arvores jovens nasceram em decorrência da morte das arvores velhas que ali estavam, mas não sabiam o que havia causado isso.

Um evento geológico colossal elucidou o enigma.

No dia 9 de julho de 1958, um grande terremoto de 8.5 graus na escala richter sacudiu a região da baia de Lituya. Uma grande massa de rocha com volume estimado de 30 milhões de metros cúbicos se desprendeu de uma altura de 900 metros de uma montanha, mergulhando na profunda baía de Lituya. O gigantesco e súbito deslocamento de água produziu uma descomunal onda. Segundos depois, parte da onda atingiu a margem oposta ao deslizamento 1350 metros adiante e quebrou, subindo uma outra montanha e derrubando arvores a inacreditáveis 524 metros de altura. O restante da onda seguiu adiante e arrasou com a baía de Lituya derrubando arvores a até 200 metros de altura.

Os acontecimentos de 1958 mostraram que Tsunamis também podem ser criados por deslocamento de grandes massas de rochas de ilhas vulcânicas e da plataforma continental, o que se um dia ocorrer, será numa escala muito maior e poderá devastar litorais de paises.





A Baía de Lituya é uma praia de tombo feita de gelo na costa norte do Golfo do Alaska, com aproximadamente 11.3km de extensão e mais de 3.2km de largura. A profundidade máxima é de 720m, mas uma plataforma de apenas 9.7m de profundidade separa-a do Golfo do Alaska entre La Chausse Spit e Harbor Point.


Baía de Lituya algumas semanas após o tsunami de 1958. As áreas de floresta destruídas ao longo da costa são facilmente reconhecidas como as áreas mais claras circundando a baía. Um barco de pesca ancorado na angra no canto inferior esquerdo foi arrastado pela maré e encontrado aos destroços; outro barco próximo à entrada da baía afundou, e um terceiro, ancorado próximo ao canto inferior direito, escapou da onda. Photo by D.J. Miller, United States Geological Survey.

O rochedo a nordeste da Baía Gilbert mostra a "cicatriz" deixada pelo deslizamento de 40.000m³ de roxa que ocorreu um dia antes da foto ser tirada. O ponto inicial do deslizamento estava em uma altitude de aproximadamente 914m, pouco abaixo do planalto nevado no centro da imagem. A elevação de água na Baía da Lituya é ao nível do mar, a frente da Geleira da Lituya é visível no canto inferior esquerdo. Photo by D.J. Miller, United States Geological Survey.

 Vista panorâmica da Faiweather Fault Trench na cabeça da Baía de Lituya. A frente da Geleira de Lituya é vista com acúmulo de blocos de gelo laterais e medianos ao redor da Baía de Gilbert. O paredão do vale oposto no lado esquerdo da Baía de Gilbert recebeu o impacto total da enorme onda, perdendo todo o seu solo fértil e árvores. Photo by D.J. Miller, United States Geological Survey.

E para complementar, a transcrição de um programa de rádio canadense comentando o assunto e relacionando-o ao tsunami de 2004.

Tsunamis e mega-tsunamis

Transmitido no Sexta Livre da Radio Centre-ville de Montreal no dia 8-01-2005.

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Até o mês passado, se você perguntasse a uma pessoa qualquer na rua o que era um tsunami, provavelmente eles não saberiam do que você estava falando. A catástrofe do tsunami, ou onda gigante, que atingiu o Oceano Índico no dia 26 de dezembro trouxe essa palavra para o vocabulário de todos nós. No Com Ciência de hoje eu vou falar um pouco sobre os tsunamis e sobre ondas ainda maiores e mais destruidoras, os mega-tsunamis.

Os tsunamis são ondas gigantes criadas por um terremoto submarino. Mas como acontecem os terremotos? Como a gente sabe, a terra não é toda sólida como aparenta – o interior da terra tem rocha em estado líquido, e a crosta é a parte superior, mais fria, desse material, onde a gente vive. O manto terrestre é a parte que vem logo embaixo da crosta, e se comporta um pouco como um líquido muito, muito viscoso. Uma coisa que acontece em líquidos que estão sujeitos a diferenças de temperatura é uma corrente que a gente chama de corrente de convexão. Quando você faz um chá já deve ter visto as folhinhas circulando na água da chícara, é esse movimento que a gente chama de convexão. O manto terrestre se comporta um pouco como um líquido entre o núcleo quente e a crosta fria, e são as correntes de convexão que movem as placas tectônicas que formam a crosta. O movimento é só de uns poucos centímetros por ano. Parece pouco, mas em centenas de anos as placas se deslocam vários metros, colidindo umas com as outras nas chamadas falhas tectônicas. Nesses pontos a pressão vai se acumulando e às vezes se libera repentinamente, e a gente tem um terremoto.

Quando o terremoto acontece no oceano pode haver um grande deslocamento vertical do fundo do mar, que por sua vez gera ondas enormes, os tsunamis. Essas ondas podem viajar a velocidades de até 700 km-h, e quando chegam nas praias ficam mais altas, chegando a 10 ou até 15m. Os resultados terríveis a gente tem acompanhado nos meios de comunicação – morte e destruição em massa.

O que pouca gente sabe é que nem sempre os tsunamis são causados por terremotos. No começo da década de 50 foram descobertos indícios de ondas enormes na baía de Lituya, no Alasca. Em 1958 veio a confirmação dramática dessa suspeita: um gigantesco deslizamento de terra de uma montanha na boca da baía causou a maior onda já registrada na história. Um grande bloco de pedra desabou de uma altura de 1100 m diretamente na água, criando uma onda que arrancou árvores e carregou pedras até uma altitude de 520 metros – uma onda 50 vezes maior do que as que atingiram a Indonésia no mês passado. A sorte foi que o Alasca é desabitado, e não houve mortes. Mas isso serviu para os cientistas descobrirem que deslizamentos de terra podem criar as maiores e mais destruidoras ondas já vistas na Terra, que eles chamaram de mega-tsunamis.

Deslizamentos grandes como esse do Alasca tendem a acontecer nas encostas de ilhas vulcânicas, como as que formam o Havaí. Essas ilhas são formadas pela lava expelida pelos vulcões em sucessivas erupções. Aos poucos a água do mar vai erodindo a base da ilha, e eventualmente acontece um grande deslizamento de terra, criando um mega-tsunami. A última ilha vulcânica que colapsou assim foi a ilha de Réunion, no Oceano Índico, há 4000 anos. Estudos no Havaí e em outras ilhas parecidas indicam que esse tipo de deslizamento acontece em algum lugar do mundo a intervalos de poucos milhares de anos. Ou seja, quando acontece é terrível, mas felizmente só acontece muito raramente.

A maior ameaça de mega-tsunami no futuro já foi identificada: é o vulcão Cumbre Vieja, na Ilha de La Palma, parte das Ilhas Canárias no Oceano Atlântico. Uma grande rachadura já apareceu, e um bloco de pedra com 20 km de extensão deslizou 4m durante a última erupção em 1949. Os cientistas prevêem que esse bloco deve cair no mar depois de algumas erupções mais – se vai precisar cinco, 10 ou 20 erupções, ninguém sabe dizer. Isso pode demorar milhares de anos, tempo suficiente para se arranjar uma solução de engenharia para esse problema. Mas como a Natureza é imprevisível, se isso acontecer nas próximas décadas a destruição pode ser enorme.

Simulações indicam que um deslizamento de terra em La Palma criaria um mega-tsunami que cruzaria o Atlântico em poucas horas. Toda a costa leste do Canadá, Estados Unidos, Caribe e até o norte do Brasil, seriam atingidos por ondas de até 100 m. Isso causaria a maior desastre natural que já houve, pois é uma das regiões mais populosas do planeta.

Vale lembrar que o risco existe, mas é bem pequeno no futuro próximo. Os cientistas, no entanto, são categóricos: é uma questão de tempo. É um pouco como a possibilidade de um impacto de meteoro – é pequena, mas sabemos que vai acontecer um dia.

Desastre naturais como tsunamis lembram a gente de como a Natureza é poderosa e imprevisível. No entanto, infelizmente a maior parte das mortes no mundo são obra do homem mesmo, e não da Natureza. Mesmo no caso desse tsunami, se a região tivesse os sensores e sistemas de alarme que já existem no Japão e nos Estados Unidos, milhares de vidas poderiam ter sido salvas. Como em muitas outras situações calamitosas, nesse caso também foi a falta de preparo (e dinheiro) que determinaram a dimensão da tragédia.

Ernesto Galvão, especial para a Rádio Centre-Ville.


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Dmitry disse...

É impressionante o poder da natureza, que pode simplesmente esmagar o estilo de vida de todos nós de uma hora pra outra.

Já imaginou se houvesse uma cidade costeira na baia de Lituya? Ela teria sido destruísa sem a chance de qualquer pessoa sobreviver. Parecendo algumas cenas do filme 2012.

Anônimo disse...

Li o livro "A Onda", que dentre outras coisas, fala sobre os vários megatsunamis na baía de Lituya. Sobre a origem do texto, segundo a autora (Susan Casey), parece que é do geólogo Don Miller, que na época trabalhava no Serviço de Análises Geológicas dos EUA (USGS) e assim que soube do megatsunami correu para o local e, além de estudar o que houve, fez algumas dessas fotos que você postou aqui.

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"Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo." - Voltaire


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